quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Você já leu...? Repeteco


 Repeteco

Quadrinhos são muito mais que super heróis de colante ou garotos de cabelos espetados salvando o mundo. Que tal uma chef de cozinha descontente com sua vida e que quer abrir seu próprio restaurante?

Essa é a premissa inicial de Repeteco, a mais recente graphic novel de Bryan Lee O'Malley, famoso pela série Scott Pilgrim. Ela foi lançada em 2014, mas chegou apenas em 2016 ao Brasil.

Misturando elementos fantasiosos a uma história aparentemente comum e personagens cativantes e muito, muito humanos, Repeteco é uma obra fantástica. Sucintamente e sem spoilers, a trama é a seguinte: Katie é uma chef de cozinha competente mas insatisfeita com seu trabalho atual no restaurante "Repeteco". Seu sonho é ter seu próprio restaurante, coisa que ela já está providenciando, mas alguns empecilhos surgem em seu caminho - entre eles, consequências de decisões antigas que ainda a atormentam. Contudo, após alguns acontecimentos inusitados, Katie descobre que ganhou algumas segundas chances para literalmente corrigir erros do passado.

A arte de O'Malley traz muito da estética do mangá japonês, com olhos grandes, faces expressivas e dinamismo. Porém, seus traços esbanjam estilo próprio e passam longe de ser uma mera cópia ou simplismo, transmitindo energia e sentimentos com desenvoltura. Também destaco o trabalho com as cores, fortes e intensas, como a trama.

O'Malley tem sua forma característica de contar histórias, sempre com bom humor, um pouco sarcástico, introspectivo, mas dramático quando preciso. Sinto que tanto a narrativa quanto a arte estão mais maduros e sensíveis que em Scott Pilgrim. Enquanto neste haviam inúmeras referências à cultura pop e videogames, em Repeteco parece que o próprio autor amadureceu, e são os sentimentos e os dilemas da protagonista que movem a narrativa. Aliás, são justamente os personagens, com suas qualidades e defeitos, tão humanos e carismáticos, que tornam esta obra tão cativante.

A tradução, que ficou a cargo de Érico Assis, é primorosa. A atenção aos detalhes, à informalidade que é o tom geral e à história como um todo trazem uma naturalidade e fluidez na leitura que difícilmente encontrei em outras obras. Foi um trabalho muito bom mesmo.

Li críticas em relação à tradução do título: no original em inglês, a obra é intitulada "Seconds". Contudo, esse nome nada tem a ver com "segundos", no conceito de tempo. Seconds, nesse caso, é quando repetimos um prato, depois de terminamos de comer o primeiro. Nesse caso, "Repeteco" é, em minha opinião, um ótimo título, ainda mais levando-se em consideração toda a história.


Em suma, gostei muito de Repeteco e recomendo fortemente!

domingo, 19 de agosto de 2012

Flandre Scarlet no Hopi Hari?

Olá pessoal. Nossa, faz dois anos desde o último post? O tempo voa mesmo. Muita coisa aconteceu nesse ínterim e não falta assunto para escrever, o que falta mesmo é tempo, sempre. Só queria postar algo interessante que vi hoje em uma oferta do Groupon, para ir ao Hopi Hari.


Percebam que a silhueta do personagem lembra muito a vampira Flandre Scarlet, do shmup japonês Touhou Project. As asas, especialmente, que são a característica mais marcante da personagem são muito parecidas, se não idênticas.


A-há! Descobrimos sua inspiração, Hopi Hari. Claro que não tenho nenhuma base para saber se houve alguma influência de Touhou nessa propaganda, é só uma coincidência que percebi.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Você já assistiu...? Now and Then, Here and There

Now and Then, Here and ThereNow and Then, Here and There

Olá a todos, e desculpem o longo tempo sem postar. Fim de semestre na faculdade, ainda mais no fim do curso, é fogo... e neste mês de julho resolvi descansar um pouco. Mas deixemos as desculpas de lado.

Já assisti a várias animações em minha vida, e sem dúvida as melhores foram as que me fizeram pensar, aquelas que, quando assistimos, acabamos aprendendo algo sobre nós mesmos; e aquelas que nos trazem emoções, nos fazem rir, chorar, ficar com medo, apreensivos, felizes, desconfortáveis. Acho que com toda arte é assim, não é mesmo? É por isso que Now and Then, Here and There é uma das grandes séries a que tive a oportunidade de assistir.

O primeiro capítulo começa com um dia comum do garoto Shu, um menino energético e otimista. Andando de volta para casa após seu treino de kendo, durante o pôr-do-sol, Shu vê uma garota sentada no topo de uma chaminé de uma construção abandonada. Subindo na torre vizinha, ele tenta conversar com a menina, mas uma esfera de luz rodeia todo o local e máquinas de guerra parecidas com serpentes surgem com o intuito de sequestrar a garota. Shu tenta impedí-las, mas quando se dá conta é transportado para outro mundo, um mundo seco e militarizado, onde uma nave-nação chamada Hellywood, regida por um ditador no limiar da loucura, busca o poder sobre tudo e todos.

Um espectador mais desavisado poderia ser enganado pelo tom leve do primeiro episódio - eu fui um pouco - mas logo a história adquire contornos mais sombrios e violentos. A despeito do visual simples, os personagens exalam personalidade, movimentando a trama e contrapondo diferentes pontos de vista e motivações. A crueldade e a loucura da guerra, e as marcas que ela deixa em todos os envolvidos são mostradas de forma nua e realista.

Apesar desse tom sombrio, a mensagem última é otimista. "Enquanto você estiver vivo, boas coisas virão", como dito incansavelmente pelo protagonista Shu. Em certos momentos da animação, essa pequena fagulha de otimismo foi a única coisa que me impediu de cair em uma sensação de total desesperança; é uma estória poderosa, que mexe com seus sentimentos. Embora se passe em um mundo fictício, poucas séries são tão cruelmente realistas como esta.

Concluindo, se você gosta de séries adultas e que nos convidam à reflexão, tenho certeza que irá apreciar este clássico.

Ficha técnica:

Título: Now and Then, Here and There
Título em japonês: 今、そこにいる僕 (Ima, soko ni iru boku)
Ano: 1999
Número de episódios: 13